Alimentação e saúde mental: o que a ciência realmente diz.

Setembro é um mês marcado por campanhas, palestras e conteúdos que ampliam as conversas sobre saúde mental e bem-estar emocional. E, nesse contexto, a alimentação também merece espaço.

Afinal, cuidar do corpo e cuidar da mente são práticas que estão conectadas. Mas é importante começar por um ponto essencial: a alimentação não trata depressão, ansiedade ou outros transtornos mentais.

Pessoas que enfrentam esses quadros precisam de acompanhamento profissional adequado, com psicólogos, psiquiatras e, quando necessário, tratamento medicamentoso. Nenhum alimento ou suplemento substitui esse cuidado.

O que a ciência indica é que a alimentação pode atuar como parte complementar de uma rotina de cuidado. Ela não resolve o problema sozinha, mas pode integrar um conjunto de hábitos que contribuem para o bem-estar, ao lado da qualidade do sono, da prática de atividades físicas, das relações sociais e do acompanhamento profissional.

O papel do ômega-3

Entre os nutrientes estudados quando falamos sobre alimentação e saúde mental, o ômega-3 é um dos que mais recebem atenção da ciência.

Pesquisas e meta-análises têm investigado principalmente a suplementação de ômega-3 rico em EPA (ácido eicosapentaenoico) como estratégia complementar em alguns quadros de depressão.

E aqui existe uma palavra importante: complementar.

O ômega-3 não deve ser entendido como substituto do tratamento convencional. Seu possível papel está relacionado, entre outros mecanismos estudados, à sua participação na modulação de processos inflamatórios do organismo.

Na alimentação, alguns exemplos de fontes de ômega-3 são:

  • peixes como salmão e sardinha;

  • sementes de chia;

  • sementes de linhaça.

Vale lembrar que os diferentes alimentos fornecem tipos distintos de ômega-3. Por isso, especialmente quando falamos em suplementação, a avaliação de um profissional é importante.

Vitaminas do complexo B e saúde mental

Outro ponto estudado pela ciência é a relação entre algumas vitaminas do complexo B e o funcionamento do organismo, especialmente a vitamina B12 e o ácido fólico, também conhecido como vitamina B9.

Esses nutrientes participam de processos importantes para o sistema nervoso e para a síntese e o metabolismo de substâncias envolvidas na função cerebral. Deficiências nutricionais, portanto, merecem atenção e podem estar associadas a alterações que afetam também o bem-estar.

A vitamina B12 merece atenção especial entre pessoas que seguem dietas vegetarianas ou veganas, já que suas principais fontes alimentares naturais são de origem animal. Dependendo do padrão alimentar, pode ser necessária suplementação acompanhada por um profissional.

Entre as fontes de vitamina B12, estão:

  • carnes;

  • ovos;

  • leite e derivados.

Já o ácido fólico (vitamina B9) pode ser encontrado principalmente em:

  • vegetais de folhas verde-escuras;

  • feijões;

  • lentilhas e outras leguminosas.

Alimentação faz parte do cuidado, mas não é a solução isolada

Quando o assunto é saúde mental, é importante evitar dois extremos.

O primeiro é acreditar que determinado alimento, dieta ou suplemento pode tratar sozinho um transtorno mental. Conteúdos que fazem esse tipo de promessa devem ser vistos com cautela.

O segundo é ignorar completamente o papel que a alimentação pode exercer no bem-estar.

Uma alimentação equilibrada é apenas uma das variáveis que compõem uma rotina de cuidado, junto com sono adequado, atividade física, relações sociais, momentos de descanso e acompanhamento profissional sempre que necessário.

Mais do que procurar um alimento específico capaz de “melhorar a saúde mental”, portanto, o caminho está em enxergar o cuidado de maneira integrada.

Corpo e mente não funcionam de forma separada. E cuidar da alimentação também pode ser uma forma de cuidar do bem-estar como um todo.

Nutricionista Gabriela Polakowski - CRN - 8 15420

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